quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Um pra dois

Pessoas se agrupam pelas paradas de ônibus. Avenida W3. Avenida de Brasília. De Norte a Sul corta todo o Plano Piloto. 
Uma parada de ônibus lotada. Ônibus chegando. Pessoas correndo. Empurra de lá. Empurra de cá. 
Ônibus partindo. Pessoas correndo... - Ufa! 
Tantas situações comuns. E a chuva cai. É novembro. Chove em Brasília neste período. 
Guarda-chuvas se abrem. Coisas inusitadas acontecem. Guarda-chuvas se emaranham. Pessoas se molham. Se irritam. Ônibus chegando. Ônibus partindo. Pessoas correndo. - Ufa!
O que de inusitado aconteceria numa parada? Numa rotina? 
Pessoas correndo, mal se olham. E se molham. 
Pessoas por vezes, mal se conhecem. E se conhecem, se esquecem. 
O inusitado? Um carinho. 
Entre um ônibus chegando, um ônibus partindo e pessoas correndo. Um carinho! 
Tão incomum, o carinho, em dias de hoje. Tão incomum, o carinho, verdadeiro. Um casal. 
Normal? De idosos? 
Nem tão normal assim, em dias de hoje. 
Fazia frio naquela parada. Mesmo lotada de pessoas agrupadas. Chovia. Molhava naquela parada. 
Ela com frio se abrigava. Aliás, eles se abrigavam. Era um casal, lembra? 
Mas um guarda-chuva para dois. Entre tantos guarda-chuvas. Era um. Um para dois. 
Comum? Comum, dois em um guarda-chuva? -Ah, mas o incomum ainda não chegou!
E por trás do seu companheiro, ela pequenininha, se abrigava. Naquele momento fazia toda a diferença ser pequena. Ela tinha que ser pequena. Fazia toda diferença para o incomum. O incomum? 
O carinho. O chamego. O abraço. O aconchego. O beijo. O beijo molhado. O beijo nas costas do seu velho. Do seu velho companheiro. Beijo molhado. Inusitado! 
Isso sim, incomum... Entre ônibus chegando e ônibus partindo. Vidas indo e vindo. 
-Ufa! Lá vem... Chegou o meu ônibus. Vou partir. 
Levo comigo um guarda-chuva. Um pra dois. Espero dividir.

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